quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Luz, câmera, ação!



Nem o mais dos durões pode negar. No fundo todo mundo gosta de um musical. Nem que seja uma musica. Vai dizer que você nunca dançou ou cantou uma das musiquinhas da Disney e curtiu seus filmes fantásticos. Tenho certeza que até o mais “bleeerght musical é um saco” já saiu do cinema um pouquinho mais feliz.

Claro que tem horas que você não agüenta mais aquelas pessoas que a em pleno um café da manhã fazem canções a cada passar de manteiga no pão. E aqueles sorrisos constantes? Dão raiva se estiver de mal humor. Sem contar algumas cenas previsíveis como se o cara ta triste ele vai cantar um solo acompanhado por “tchururu” de um coral ao fundo, caminhando pela cidade e talvez uma chuva caia, ou esteja em uma noite fria. Sem contar as pessoas que nunca se viram, mas na hora da canção tem a coreografia totalmente sincronizada.

Mas sabe, às vezes eu fico imaginando se a vida fosse um musical. Principalmente quando caminho pelas ruas do centro da cidade na hora de atravessar uma daquelas largas avenidas. Todas as pessoas caminhando em suas direções, tão automáticas que parecem estar coreografadas. E ai imagino se elas simplesmente dançassem nas faixas brancas com suas roupas de trabalho e depois seguissem para seus empregos felizes. Tudo bem que as seis da noite o trânsito ficaria mais caótico e essa parte talvez fosse a dramática do filme.

Pense só: no cotidiano se vê tantas coisas esquisitas que passam despercebidas, mas se aparecem como cena de um filme todo mundo diz “ ah essas coisas só acontecem em filme mesmo...”, quando na verdade a vida é muito mais estranha que filmes e musicais. E qual seria o problema se a cada esquisitice tivesse uma musiquinha e uma dança ao fundo? Por que não? Ir até a janela do seu quarto e se deparar com uma cidade embalada num só ritmo. Quando se sentir só ter uma voz perfeita pra cantar a musica que você quiser com um coral ao fundo só seu. Seria bem divertido ir ao trabalho fazendo passos de sapateado perfeitos no caminho.

Só teria um problema nisso tudo. Quando fossemos ao cinema não existiria a magia dos musicais nem dos filmes. Nestes as pessoas estariam normais indo para seus trabalhos e então pensaríamos “ Ah só em filme mesmo que todo mundo vai pro trabalho sem cantar uma musiquinha se quer” em seguida levantaríamos e faríamos um show cantando sobre o filme e sobre as nossas vidas. Céus. Talvez isso se tornasse um inferno, assim como muitas vezes pensamos que o mundo é.

Temos problemas que duram muito mais que 100, 200 ou até 300 minutos. E o pior é que nunca sabemos quando chega o fim, quando as luzes vão acender e se já está na hora que os créditos vão subir ou se o mocinho finalmente vai se dar bem. Só sabemos que um dia vai acabar. Por outro lado, se não há a certeza do fim, podemos inventar um todos os dias, como se não houvesse mais minutos, como se fosse acabar a qualquer instante. Podemos criar o nosso roteiro, contar com os imprevistos também, quem sabe até com falta de verba. Sem contar que ainda temos a nossa própria trilha sonora. Lógico que existem os críticos, mas a opinião deles nunca acrescenta depois que o filme está pronto, então só dê ouvidos se forem elogios.

No fundo a vida é um grande filme, um grande musical. A diferença é que o brilho está nos olhos de quem faz e não de quem vê. Ainda bem que cada pessoa tem o seu, pra dirigir da forma que quiser.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Marilyn, espero que tenha gostado...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Simples assim


Tava almoçando num restaurante tipo Self Service. Daí sentaram na minha mesa uma mãe com sua filhinha de uns cinco anos no máximo. Até ai tudo bem. A menininha tava comendo direitinho, enjoadinha como toda criança, mastigando devagar, mas comendo. Até que por fim a criança se rebela. " Ô mãe, não quero comer beterraba... não gosto disso não..." A mãe ficou parada com aquela cara de "ai, o que que eu faço pra essa garota comer..." e parecia não saber resolver esse dilema. De repente ela parou e olhou a garrafinha de grapete com canudinho que a filha estava tomando. " Ué filha, mas você adora esse refrigerante e é da mesma cor da beterraba..." A garotinha abriu a boca rápido como quem ia dar uma resposta, mas ai parou pensou e fechou a boca. Olhou o legume como quem não tivesse escolha e simplesmente comeu tudo.

Queria que o mundo tivesse soluçoes rapidas e simples assim.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

People food


Se há uma coisa que eu gosto e todo mundo sabe é de nostalgia. Nem preciso repetir. Estava hoje me lembrando de um desses codigos que as meninas tem na época de escola pra falar determinados assuntos. Por acaso o qual me lembrei tinha a ver com meninos. Na verdade era uma menina. Uma amiga minha estava apaixonada por um menino que estava com outra menina. Essa outra, tinha cabelos longos, cacheados e loiro oxigenado bem artificial mesmo. A pobre coitada acabou recebendo o apelido de mioja. Era a forma de minha amiga se vingar por não receber o amor daquele rapaz. Mas ai eu me pergunto "por que ela não apelidou a ele?". Coisas de adolescente. Efim era mioja pra cá e mioja pra lá toda vez que a coitada dava as caras pelo bosque ou pelo bloco E, onde costumavamos ficar. "Lá vem a mioja... ai mas que garotinha... vai ser feia assim..."
De fato a mioja, digo, a menina não era o exemplo de beleza. Na verdade ela era bem feinha mesmo, mas conseguia conquistar boa parte dos meninos bonitos e deixava outras pessoas, como a minha amiga, em estado de A.D.P. (Ataque De Pelanca).
Daí que eu me lembrei da teoria que eu elaborei nessa época baseada na nossa querida mioja. A teoria de que todas as pessoas são como comidas.

Por favor senhor leitor interprete o verbo comer e a palavra comida da forma que quiser, pois ele pode ter muitos sentidos mesmo e não tenho escapatória. Facam as analogias que acharem necessárias. Ou não.

Existem muitos tipos de comida no mundo assim como muitos tipos de pessoas. Entretanto existem alguns tipos de comidas básicos que eu na minha mentalidade de 16 anos refleti e associei...

O primeiro deles é o miojo que por sinal tem um pouquinho a ver com a nossa "musa" inspiradora, a mioja. É bom? É. Fácil de conseguir? Sim. Só precisa cozinhar por 3 minutos e já pode comer. Mas já tentou passar a vida inteira comendo miojo? Impossível. Como diria a sua avó "não dá sangue". Voce fica meio enjoado se passar a semana toda comendo. Sem contar que é super artificial aquele posinho que se joga por cima pra desfarcar o gosto sem graca. Pra quem não é bom cozinheiro serve pra fazer acreditar que sabe fazer alguma coisa na cozinha. Mas com o tempo ve que qualquer um consegue. Te lembra alguém?

Agora vem o fast food. Huuummm que delícia. Bolo, pizza, todas essas guloseimas. Voce encontra em qualquer esquina, principalmente nos barzinhos da vida. Satisfaz a sua fome momentanea. Mas depois sempre pensa " ai, não deveria ter comido essa besteira..." Não tem nenhum conteudo nutritivo. Te faz feliz apenas naquele instante. Mas não é algo que se coma a vida inteira com a saúde boa. Fácil de vir até voce. Difícil tirar da sua vida. Porque por mais que saiba ser errado come-los, continua comendo. Ainda mais se não tiver nenhuma comida boa e nutritiva por perto. Te lembra alguém?

Não posso deixar de citar as comidas como caviar. Uma definicao rápida e simples. Voce só tem se tiver dinheiro. Não se encontra em lugares em que possa entrar com roupinha da citycool ou sapatinho da disantinni. E não é pra matar a fome ou pelo valor nutrivo, mas sim pela vaidade de dizer "Eu posso comer isso..." mesmo que o gosto seja horrível. Te lembra alguém?

Por fim não posso esquecer o bom e velho feijão com arroz. É, aquele que sua mãe dizia pra voce comer todo dia. " Vamos lá, toma pelo menos o caudinho..." Eu não acho fácil fazer feijão porque tem que lidar com a panela de pressao. Mas é simples. Arroz também. Os dois bem simples. " Ah arroz e feijão de novo...?" Dizia quando era pequena. Mas é o que te alimenta. É o que te dá sangue quando precisa. Tá ali simples como a água. Mas faz o seu papel em matar a sua fome quando precisa e ao mesmo tempo te dando o alimento necessário. Não dá pra viver sem ele. E onde encontrar? Na sua casa. Num lugar despercebido, mas perto de voce. Sempre tem lá no cantinho do armário. Aquele pote que voce olha todo dia e pelo costume não dá nada por ele. Mas se faltar, é pra lá que corre. Te lembra alguém?

Bem, se voce leu isso tudo e não associou a ninguém, só ficou com vontade de comer e acha que eu tenho algum problema mental... Tudo bem... Ninguém me entende mesmo...
Mas se viu algum nexo nas palavras acima, disque 0800... Quero dizer, te convido a essa reflexão. Que tipo de comida quer ter na sua mesa? E que tipo de comida quer ser quando for posta na mesa? E se tiver alguma comida que eu não citei, por favor, sinta-se a vontade para falar.
Faca a reforma na sua cozinha.

OBS> desculpem pelos cidilhas, erros e acentos mal colocados ( principalmente a Georgia a senhora "não agrida o portugues"). Teclado desconfigurado. Vontade de escrever mesmo assim.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Uma outra religião



Eu piso torto. Não é muito perceptível pra quem vê de fora. Sempre foi assim. Nasci pisando pra dentro. Vivia caindo na rua, trocava os chinelos e tinha muitas cicatrizes no joelho. Dia desses fui apostar corrida com um menino mais velho que morava lá na vila. Ele na bicicleta e eu correndo. “Aposto que eu te venço mesmo você na bicicleta”. Cataploft. Não deu outra. Tenho a marca até hoje. Minha mãe me levou a vários ortopedistas pra saber se eu precisava de botas ou o que era preciso fazer. Botas? Não, coloque-a pra fazer ballet. Mãe pra onde você ta me levando? Pra uma escola de dança. Você vai fazer ballet, filha.

Eu já tinha visto algumas bailarinas. Sempre me encantei. Comecei a me imaginar dançando, principalmente quando descobri que no final do ano teria uma apresentação. Tinha seis anos de idade (a mesma idade que eu ganhei o Dumbo – vide postagem do dia 15 de agosto). Tão nova, mas tão decidida: Serei bailarina. O primeiro dia foi um desastre. Não, eu não cai, tropecei ou algo do gênero. Quando eu cheguei à escolinha da tia Marta, tinha ido no dia errado: o dia do jazz. Ah, não tem problema. Hoje você faz jazz, amanhã você vem pro ballet. Cadê a minha avó? Eu quero ir embora. E nisso as lagrimas já me corriam pelo rosto.Acontece que a minha avó me deixou por lá e foi ao salão de beleza, mas não me avisou. Sua avó deve ter ido embora, ela não está aqui – disse a secretária. O que pode passar na cabeça de uma criança de seis anos numa situação dessas. Ela esqueceu de miiiimmm... Me leva pra casa? Depois a vovó apareceu. De cabelo novo.

O segundo dia foi melhor. Agora sim, hoje é o dia do ballet. Eu realmente impressionava. A professora e as estagiarias gostavam de mim: você é flexível, menina! Ai ela é uma gracinha! Ah ela tem talento. Nem ligaram muito pro meu pezinho torto. A primeira apresentação, eu me lembro bem, vestia uma roupinha laranja. Éramos as florzinhas do espetáculo e fomos as mais aplaudidas. O motivo é óbvio: Quem é que não vai aplaudir essas coijinhas tão fofinhas cuti cuti da mamãe?

Quando eu ia completar 9 anos eu tive que sair da escolhinha, por causa do horário da escola (de ensino fundamental agora). Eu fiquei triste, mas prometi pra mim que um dia iria voltar. As crianças são seres aparentemente inocentes e que talvez não pensem em nada a não ser brincadeiras. Porém por dentro tem todo um planejamento e pensamentos tão maduros que chegam a ser melhor que adultos. Ai chega a adolescência e tudo se perde. Eu tinha meus planos e meus pensamentos. Não que ache que era melhor que adultos. Mas já tinha os planos da minha vida feitos.

Não foi bem como eu planejei. Já estava na sexta série e não tinha nem pisado em qualquer escola de dança até o presente momento. Estudava em colégio de freira. Esses colégios de freira sempre querem estimular coisas do tipo leitura, campanhas da fraternidade, feiras da cultura, festas conservadoras. Festas as quais precisavam de dança para diretora irmã Marisa. Eis que surge o concurso: Corpo de Baile. Quinze meninas seriam escolhidas para formarem o grupo de dança da escola e teriam descontos nas mensalidades. Foram 107 inscritas e eu estava entre elas. O teste não foi difícil, mas juntando com o nervosismo e varias pessoas olhando ficou um tanto mais, como posso dizer... Cômico. Pelo menos de minha parte. O teste foi sexta e resultado saiu na segunda. A lista das meninas que passaram tinha sido colocada na porta da quadra e na hora do recreio foi uma muvucada de gente querendo saber o resultado. Eu, baixinha como sempre, nem consegui ver direito tão pouco passar pela multueira de gente. No final do recreio finalmente pude chegar perto da lista e qual o resultado: Não passei.Uma semana depois a professora de dança e educação física veio até mim para contar que eu havia passado em décimo sexto e que uma menina desistiu. Você quer entrar no lugar dela, Ingrid? Sem pestanejar eu disse que sim. Ok, amanhã você vem para os ensaios porque a gente já montou metade da coreografia.


A maioria das meninas eram bonitas. Populares. Faziam dançam desde pequenas. Dançavam muito bem. Eu? Olha, eu tinha uma enorme força de vontade. Perguntei a professora se podia apenas observa-las dançando primeiro e depois tentar dançar. Ah! Não, Ingrid, não há tempo para isso. Entra ali no meio da dança e aprende. O meu primeiro dia foi basicamente tentar aprender a coreografia complexa que já estava pela metade montada e que parecia diversão pra todas elas. E é claro: fiquei atrás pra tentar copiar, mas quem disse que aprendi? Pra deixar a situação ainda “melhor” a professora ainda acrescentou mais passos.

Adolescente é um bicho muito chato, mas pré-adolescente deve ser pior ainda. Que garotas chatas. Muito chatas. Eu não gostava de ninguém. Sempre era excluída. Ainda descobri que me zoavam pelas costas. Elas só falavam de coisas imbecis a meu ver, como matinês, micaretas e garotos bonitos da escola que cagavam e andavam pro mundo. Nos próximos ensaios eu já estava armada. Resolvi que ia aprender a dançar com ou sem a ajuda delas. No dia da apresentação não deu outra. Foi sensacional. Nunca me senti tão bem dançando. Meus amiguinhos da turma vieram me dar parabéns e no recreio as pessoas me reconheceram como a garota do corpo de baile.

O tempo passou e fui aperfeiçoando. Aprendi a dançar ballet, jazz, sapateado, street. Tudo para apresentações das festas da escola. Agora já não tinha mais raiva e até me dava muito bem com as meninas. Nos tornamos uma família. Ok, talvez nem tanto, mas já dava pra se divertir.
Entrei em uma escola de dança perto de casa e consegui melhorar mais ainda. Fiz amigas de verdade que não estavam preocupadas em dançar melhor que eu, mas sim em curtir as aulas de ballet.

No ensino médio eu passei para o CEFET/RJ e tive que sair do colégio de freira. Tive notícias que o corpo de baile continuou mesmo sem a maioria das pessoas, mas nunca foi o mesmo de antes. Ninguém queria mais assistir.


Agora dançar já tinha se tornado uma religião pra mim. Não conseguia mais viver sem. Entrei pra uma das melhores academias da região. Esse sim foi um desafio. Aprender a fazer ballet com professores bailarinos do Theatro Municipal. Era aula todos os dias. Sabem como é eu nunca fui magra e nessas academias você sempre se sente obesa. Esse era o único problema. Porque os professores eram super atenciosos comigo e sempre me disseram que eu era muito boa, mas que precisava emagrecer, emagrecer e emagrecer. Assim eu poderia entrar no grupo de dança deles e viajar para apresentações em outros lugares. Não posso esquecer de citar todas as amizades. Diferente do que muitos pensam das bailarinas, essas não eram nem um pouco metidas.


Em dois anos nessa academia eu consegui dançar dois ballets de repertório e ainda aprender a fazer ballet contemporâneo.

Nunca desisti de aprender nem de tentar entrar para o grupo. Não me arrependo de nada. Mas como tudo na vida o fim chegou. Eram muitas contas a pagar e eu precisava passar no vestibular, pagar um cursinho. Então no início desse ano eu tive que ir lá cancelar a minha matrícula. É claro que eu chorei. Foi um dos dias mais tristes pra mim. Principalmente pelo fato de que os professores disseram que eu entraria no grupo a partir daquele ano.

Ainda me sinto triste quando vejo uma apresentação. Mas feliz. Feliz por saber que eu também já dancei e consegui chegar a um ponto que nunca imaginei chegar. Agradeço sempre a todos os professores de lá que acreditaram e ajudaram na conquista de todo o meu progresso. Não sei se um dia retornarei a fazer minhas aulas, mas toda a felicidade que me proporcionaram nunca será esquecida.


OBS: Eu continuo pisando torto.

sábado, 7 de novembro de 2009

November Rain


Dezembro é sábado. Férias, décimo terceiro, natal e festas de fim de ano, talvez seja isso que dá o tom de fim de semana em Dezembro. Janeiro? Bem, Janeiro é domingo, isso é fato. Aquela preguiça de domingo, de pensar que já já volta tudo de novo, toda a rotina e as promessas de na segunda mudar toda a vida: regime, esforço, trabalho. Mas essas promessas não começam na segunda feira, que neste caso é Fevereiro. Esse mês é uma espécie de segunda feriado de muito sol: dura pouco, você curte bastante, não faz nenhum regime tão pouco pensa em trabalhar. Eu, particularmente, não gosto muito daquela típica festa em que as pessoas fazem o que gostariam de fazer o ano todo. Gosto mesmo é do feriado. Apenas. O puro e simples fato de ser feriado.
A vida começa na terça. Março. Nos últimos anos não tenho visto suas águas. Nem sei mais quando fecha o verão. A quarta vem mais pra frente: Junho e Julho. É a metade. Sensação de estar no meio. Há pouco tempo atrás era o começo, mas daqui a pouco tempo acaba o ciclo. Antes de ontem ainda era segunda, mas depois de amanhã já é sexta. Setembro e Outubro: Quinta. O que dizer da quinta? O que você pensa quando digo: hoje é quinta feira? Apenas um "que bom" vem a minha mente.

Novembro tem clima de sexta feira. Aquela sensação de que falta pouco pra acabar. Mas essa sexta começa chuvosa, por causa do dia de finados. Um tanto triste eu diria. Me pergunto o porque de um feriado para os mortos, se quem “comemora” são os vivos. Esse dia só nos faz pensar e achar que os outros se foram e que ficaremos vivos pra sempre. Todos nós um dia vamos embora. Talvez se houvesse o “dia dos vivos” lembraríamos que existe a morte e aí sim teríamos motivos pra comemorar: o fato de estar vivo, ainda. Esperto foi o meu avô que morreu num dia 3 de Novembro. Aproveitou o seu último feriado pra depois ir dessa pra melhor. Melhor? Não sei. Essa é uma expressão que todo mundo usa, mas ninguém sabe ao certo. Tudo bem que ele nunca voltou pra reclamar (não que eu tenha visto ou ouvido). Acho que o assunto morte e o que vem depois dela é muito pessoal e cada um sabe e acredita na melhor resposta pra entender e consolar-se diante dela.

Em uma entrevista a Michael Jackson perguntaram o que gostaria que fizessem quando ele morresse. Então, respondeu que não pensava nisso. E porque, perguntou o jornalista. “ Eu nunca vou morrer” respondeu Michael. Foi a mais pura verdade. Jackson continua vivo. Em suas músicas ainda tocadas, no seu filme documentá rio, suas danças. Elvis também não morreu. Ou alguém consegue esquecer o talento do astro do rock? E quanto aos missionários? Gandhi ou Madre Thereza. Será que morreram? Acredito que permanecem vivos dentro de tudo que realizaram e todo bem feito na vida de outras pessoas. Essa essência individual é que faz de nós o que somos. É o que se transmite nas ações e atitudes, sejam elas boas ou ruins. Quem determina a nossa morte não se sabe, mas a nossa imortalidade a gente pode decidir. Se vai colocar todo amor,
convicção em que construir, essa energia fica pra sempre. Talvez não seja reconhecida logo, mas sementes plantadas sempre acabam germinando.

A vida não começa quando chega o sucesso. Começa quando a procura da felicidade é fazer aquilo que ama fazer. Sem esperar reconhecimento. Apenas dando o melhor de si. Não começa daqui a dez ou vinte anos. Começa na segunda, na terça, quarta, todos os dias de Janeiro a Janeiro. O que se tem feito da semana? O que se tem feito com a vida? As vezes as pessoas me parecem apenas planejar o amanhã, quando na verdade o amanhã não existe. O que existe é o hoje, o agora. Nosso corpo é como uma cápsula que carrega nossa essência e é instrumento pra que se possa edificar nossas idéias. Um dia essa cápsula se vai, mas o efeito fica. Ou não. Depende do que se faz com cada cápsula. Podemos apenas aceitar o padrão e seguir uma vida vista como normal, esperando a morte chegar. No dia dois de Novembro seremos lembrados e colocarão flores as quais nem vamos conseguir pegar. Mas podemos viver seguindo nossos sentimentos (desde que não prejudiquem ninguém), mesmo que esses não agradem a maioria. Seremos lembrados sempre. E nossa vida continuar. Ou melhor, o efeito da cápsula durar mais tempo.

Então resolvi reeditar essa postagem acrescentando um vídeo de um cara que com certeza faz um ótimo uso de sua cápsula e nao espera o amanhã. video

sábado, 24 de outubro de 2009

O debate perdido.

Atenção: Esse texto é uma ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência...




- Alô.
- Alô, por favor a Fulana?
- É ela.
- Ela quem?
- Fulana.
- É, então, eu queria falar com ela, pode ser?
- Então fala.
- Desculpe, mas é só com a Fulana.
- Olha, aqui quem fala É a Fulana, entendeu?
- Ah, sim... Oi Fulana...
- Oi, Beltrana, diga.
- Você vai amanhã?
- Vou.
- Então tá bom. Beijos.
- Calma aí você só ligou pra falar isso?
- Ah tem outra coisa: Dinheiro traz felicidade?
- Quê?
- DINHEIRO TRAZ FELICIDADE?
- Eu não estou surda. Por que a pergunta do nada?
- Do nada não. Do dinheiro.
- Olha, eu não sei... Acho que não...
- Mas e se você estivesse com fome ou sem saúde?
- Ai é uma necessidade básica.
- Não é nada. Outro dia eu fui no hospital público e não tinha todos os remédios necessários... então não é básico.
- Han? Olha tô falando que saúde no geral é básico pra sobreviver. Que nem a comida.
- Mas pra isso tem que ter dinheiro, né?
- Nesse mundo capitalista sim, mas quem sabe se uma pessoa de um país socialista não é feliz?
- Claro que não! A África é um país socialista e ta todo mundo com fome lá!
- OI!?! Olha melhor esquecer tudo isso então.
- Eu vou pesquisar sobre isso... Se é socialista ou capitalista eu não sei... só sei que estão com fome...
- Tá bem, aproveita e pesquisa a diferença entre socialismo e comunismo, porque também tem diferença.
- Você tá fazendo mal criação? Você adora dar umas respostas típicas de adolescente que vai pra fase adulta. Não sabe perder.
- Mal criação? Olha você não entendeu nada... Tá bem, OK!
- OK, o que?
- Ok, o dinheiro traz toda felicidade do mundo.
- AHAA! Sabia que você ia concordar! Então é isso, beijão.
- Tchau.
- Ah! Outra coisa.
- OH, céus. o quê?
- Você perdeu o nosso debate.
- Qual era seu objetivo?
- Tem como você me emprestar um dinheiro?
- Pra quê?
- Pra salvar a África...


Quem sou eu