sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tabela da Copa

Outro dia um religioso la do meu trabalho disse que iriamos para o inferno (Ou pelo menos foi bem tendencioso). Dai eu pensei "De novo? Mas eu ja num vim pra ca de trem?"

Eh certo que a publicidade nos engana para que possamos comprar seus produtos. Mas dessa vez ela passou dos limites. Recebi da Supervia semana passada um folder com a tabela da copa de 2010. Na capa vem escrito "tabela da copa 2010". Ate ai o consumidor fica feliz. Mais embaixo vem "voce pode visitar..." (isso com letras pequenas) "...LUGARES INCRIVEIS.." (com letras bem grandes agora). "andando de trem." (letras pequenas de novo). Eu nao sei o significado de "INCRIVEL" para cada pessoa. Tao pouco dizer a significancia dos lugares. Pra mim Madureira tem uma significancia incrivel.

Apesar de nao termos paraisos com estaçoes de trem da supervia, vai la saber a importancia que Queimados tem na vida de uma pessoa. O que me intrigou mesmo foi o "andando de trem". Eu posso amar e idolatrar lugares de outras dimensoes como Comendador Soares por exemplo. Mas sinceramente, do jeito que ta, eu prefiro ir de onibus.

Ja me disseram que o povo brasileiro so se une pra futebol e carnaval. Entao como eh que me explicam o Japeri que eu peguei hoje de manha? As pessoas estavam tao unidas que mais pareciam o arroz que a minha avo fazia quando eu era pequena. E a fisica ainda vem dizer que dois corpos nao ocupam um mesmo lugar no espaço... Fala pra ela pegar o Santa Cruz.

Enfim o consumidor abre o folder e ve a agenda dos jogos da Copa, fica feliz e segue no trem para o seu trabalho.

domingo, 13 de junho de 2010

A bexiga e o Tom.




O que acontece se enchermos de ar um bexiga de latex? (Dessas que colocam nos aniversarios)



Eh bem verdade que eu queria um livro com o titulo "como ser debochado sem magoar as pessoas". Porque, sinceramente, me parece um prazer enorme esse do deboche. Pode ser gordo, magro, rico, pobre, bonito ou feio, se tiver o poder de manipular a ironia, parece ter o mundo nas maos.
A felicidade de proferir aquelas palavras. Nao, nao sao as palavras. Eh o tom.
(Nao esse tom.)

O tom que se fala. Risos podem ser provocados nos que observam. Nunca na vitima (no maximo forçado, vai). Essa fica sem reaçao. Ou responde com o mesmo tom. Pode ate se sentir mal, mas nao deve demonstrar. Se nao, perde a razao e vira motivo de mais ironia. Ja viu um debochado em açao? Eu ja. Parece o dono da veradade.

A gente nem precisa mudar a expressao. Nem um musculo. Eh aquele tom. O tal do tom, que muda tudo. Um vicio. Tanto que quase tudo vira motivo de piada. Nao piada, piada. Piada debochada, logico. Se tiver intimidade, ai que danou-se. O problema eh se desfazer disso. Ate quando nao se quer ser ironico, voce acaba sendo.
"nunca sei quando voce esta falando serio." Ja ouviu essa frase?
Ate certo ponto isso eh bom. Mas essa forma de defesa nem sempre eh a melhor. Nao eh o melhor quando vira forma de defesa.
A ironia, por vezes, vira espada que fere ou destroi qualquer semente de esperança ou amor ( ou esperança de amor) no coraçao de suas coitadas.

No fundo, os debochados demais sao todos uns frageis. Que formam essa barreira de pedra pra que ninguem zombe deles. O que mais se ofende diante de um bom deboche eh o proprio debochado. Quando ele eh o alvo. Claro que uma brincadeira aqui outra ali nao faz mal. Eh brincando de ironia que a gente diz a verdade. Infla o ego e tudo.

Encher demais uma bexiga com ar, faz com que ela fique enorme e seja a mais bonita da festa. Mas fica vulneravel a qualquer alfine.

Portanto, se nos inflamos por tras de tanta ironia eh por que no fundo somos que nem essa bexiga vaidosa. Suscetiveis a qualque alfinete. Ai sofre o sujeito. Ser humilde eh dificil, neh? Nao, nao to debochando nao. Juro. Eh serio, po.

Claro que esse texto nao generaliza. Nem eh contra o deboche. Afinal, que seria da humanidade sem essa figura de linguagem? Usada pra dizer a verdade sem dizer exatamente. As vezes nem precisa falar. Eh so olhar e pronto. Debochou.

Ainda bem que eu nao sou assim...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Coleta

OBS: Mais uma vez relembro que meu teclado nao tem acentos e outros sinais.
"Entao porque vc nao compra outro?" voce se pergunta.
A resposta eh: Eu tambem nao sei. Enfim, essa nota eh so para melhores entendimentos do texto como por exemplo esse "eh" eh o "e" com acento agudo.

E de todas as mudanças que estavam acontecendo em 2010, aquela me pareceu a mais dificil. Eu nao sou dessas que costuma se planejar muito no dia 31 de dezembro. Desisti de promessas. Gosto de ver coisas acontecendo, entao prefiro nao me iludir dizendo que vou fazer tal coisa e chegar na hora, cade? Sou mais a favor do auto-conhecimento e procurar me entender, ai sim ver ate onde eu posso chegar. Com calma, de forma feliz. Entre trabalhar, estudar, mudar alimentaçao, entre outros, eu resolvi catar os dejetos dos meus caes quando os levo a rua. Tirar o coco, mesmo. Afinal, ja que eu ainda nao posso mudar as mudanças climaticas do planeta, nem dar jeito na grande quantidade de lixo produzida no mundo, pelo menos eu posso limpar a calçada por onde eu piso, neh? Eh so levar umas sacolas plasticas e recolher. Tranquilo...

Ai começou. Todo dia eu esquecia as sacolinhas plasticas. Esquecia mesmo, consciencia? Nao sei. So sei que chegava la embaixo e "putz, esqueci as sacolas. Ah num vo subir tres andares pra pegar nao. Deixa, deixa. Amanha eu começo a fazer isso." E assim ia. Semanas e semanas. Ate que por fim, num desses discursos de conscientizaçao ecologica que se ve em propagandas ("Meio ambiente, a gente ve por aqui" plim plim)em que se tem minutos de reflexao do tipo "poxa eh verdade, o meio ambiente esta sendo degradado e eu nao faço nada, precisamos mudar isso, preciso fazer minha parte e coisa e tal..." Antes que eu me distraisse com a proxima propaganda, eu lembrei do meu projeto: A coleta do coco dos cachorros.

Naquela noite eu estava realmente me preparando psicologicamente para aquilo:

Eu:Cara, que nojo que vai ser isso. Qual o problema, eh so um cocozinho, a calçada ja eh toda suja mesmo...

Consciencia: E voce vai sujar ainda mais!

Eu: Mas isso nao vai mudar nada...

Consciencia: Mas ja eh o começo pra se fazer alguma coisa...

Eu: po, mo pagaçao de mico fica pegando coco na rua...

Consciencia: Mico eh sujar a rua e sair finjindo que nada aconteceu...

Eu: Ta bom ta bom.

"Ingrid, vai levar os cachorros." disse minha mae. Me olhou rapido quando eu estava na porta ja com os cachorros com as coleiras. Depois olhou de novo, fixamente dessa vez, como quem quisesse acreditar no que estava vendo. " Que monte de sacola plastica sao essas ai?" "Vo recolher o coco dos cachorros, mae." Ela fez um olhar com uma cara do tipo "tudo bem, maluco a gente nao contradiz" mas eu senti um risinho no canto de sua boca. O que me deu vontade de rir tambem. E la fui eu.

Desci as escadas do predio com os dois cachorros, uma coleira em cada mao, a chave no bolso de tras e varias sacolas nos bolsos da frente parecendo que eu tinha um baita de um culote. Chegando na rua foi xixi daqui, xixi dali. Ate que o Dumbo resolveu estreiar essa novidade. Eu sei, tinha que ser ele, o cachorro que me ama(vide o post de agosto de 2009).

Tava la. O dejeto olhando pra mim e eu olhando o dejeto. A juju e o dumbo faziam força na coleira para irem ao proximo poste. E eu ali segurando eles firmes, olhando fixamente e pensando o que eu deveria fazer. Dai eu segurei as duas coleiras com uma mao so, quase caindo no chao. Coloquei a outra no bolso e tirei uma sacola. Olhei pra todos os lados "sera que tem alguem olhando?". Enfiei minha mao dentro da sacola e a fiz de luva. Abaixei me aproximando ainda mais daquilo. Coloquei a mao, agora coberta por um plastico, mas nao imune a temperatura quente da bosta. Tirei a mao fazendo com o que virasse um trouxinha, por fim amarrei o saco. Vitoria? Claro que nao, aquele foi so o começo.

Agora eu tava mais tranquila, vi que nao era um bicho de sete cabeças. Foi um pouquinho complicado, andar com dois caes, chave, sacolas e cocos ao mesmo tempo, mas quando cheguei em casa estava com as maos suja e consciencia limpa.
Sensaçao de dever cumprido.
Dia desses eu tinha inventado novas maneiras para facilitar a tarefa da coleta. Fui toda animada mostrar pra minha mae: "Aqui mae, olha o que eu inventei, muito melhor pra catar os cocos, neh..."

Ela me olhou e nao aguentou. Deu uma gargalhada. E eu nao aguentei. Dei outra maior ainda. Apesar de trabalhoso eh sempre divertido tentar ideias novas aparentemente loucas. Ainda mais quando essas ideias sao para melhorar.


Pode parecer uma historia boba ou idiota. Mas pra mim, amigos, foi uma dificuldade vencida. Por que se nao se consegue mudar nos minimissimos detalhes, como mudar um todo maior?