Nem o mais dos durões pode negar. No fundo todo mundo gosta de um musical. Nem que seja uma musica. Vai dizer que você nunca dançou ou cantou uma das musiquinhas da Disney e curtiu seus filmes fantásticos. Tenho certeza que até o mais “bleeerght musical é um saco” já saiu do cinema um pouquinho mais feliz.
Claro que tem horas que você não agüenta mais aquelas pessoas que a em pleno um café da manhã fazem canções a cada passar de manteiga no pão. E aqueles sorrisos constantes? Dão raiva se estiver de mal humor. Sem contar algumas cenas previsíveis como se o cara ta triste ele vai cantar um solo acompanhado por “tchururu” de um coral ao fundo, caminhando pela cidade e talvez uma chuva caia, ou esteja em uma noite fria. Sem contar as pessoas que nunca se viram, mas na hora da canção tem a coreografia totalmente sincronizada.
Mas sabe, às vezes eu fico imaginando se a vida fosse um musical. Principalmente quando caminho pelas ruas do centro da cidade na hora de atravessar uma daquelas largas avenidas. Todas as pessoas caminhando em suas direções, tão automáticas que parecem estar coreografadas. E ai imagino se elas simplesmente dançassem nas faixas brancas com suas roupas de trabalho e depois seguissem para seus empregos felizes. Tudo bem que as seis da noite o trânsito ficaria mais caótico e essa parte talvez fosse a dramática do filme.
Pense só: no cotidiano se vê tantas coisas esquisitas que passam despercebidas, mas se aparecem como cena de um filme todo mundo diz “ ah essas coisas só acontecem em filme mesmo...”, quando na verdade a vida é muito mais estranha que filmes e musicais. E qual seria o problema se a cada esquisitice tivesse uma musiquinha e uma dança ao fundo? Por que não? Ir até a janela do seu quarto e se deparar com uma cidade embalada num só ritmo. Quando se sentir só ter uma voz perfeita pra cantar a musica que você quiser com um coral ao fundo só seu. Seria bem divertido ir ao trabalho fazendo passos de sapateado perfeitos no caminho.
Só teria um problema nisso tudo. Quando fossemos ao cinema não existiria a magia dos musicais nem dos filmes. Nestes as pessoas estariam normais indo para seus trabalhos e então pensaríamos “ Ah só em filme mesmo que todo mundo vai pro trabalho sem cantar uma musiquinha se quer” em seguida levantaríamos e faríamos um show cantando sobre o filme e sobre as nossas vidas. Céus. Talvez isso se tornasse um inferno, assim como muitas vezes pensamos que o mundo é.
Temos problemas que duram muito mais que 100, 200 ou até 300 minutos. E o pior é que nunca sabemos quando chega o fim, quando as luzes vão acender e se já está na hora que os créditos vão subir ou se o mocinho finalmente vai se dar bem. Só sabemos que um dia vai acabar. Por outro lado, se não há a certeza do fim, podemos inventar um todos os dias, como se não houvesse mais minutos, como se fosse acabar a qualquer instante. Podemos criar o nosso roteiro, contar com os imprevistos também, quem sabe até com falta de verba. Sem contar que ainda temos a nossa própria trilha sonora. Lógico que existem os críticos, mas a opinião deles nunca acrescenta depois que o filme está pronto, então só dê ouvidos se forem elogios.
No fundo a vida é um grande filme, um grande musical. A diferença é que o brilho está nos olhos de quem faz e não de quem vê. Ainda bem que cada pessoa tem o seu, pra dirigir da forma que quiser.